A programação que antecedeu a cerimônia de entrega da Agenda Institucional do Sistema Comércio 2025, realizada nesta quarta-feira (26/3), em Brasília, contou com dois painéis que reuniram parlamentares e executivos dos setores de comércio e turismo. O primeiro debate abordou as perspectivas da transformação digital no setor terciário e as políticas públicas capazes de impulsionar a modernização e a competitividade desse segmento.
Na abertura do evento, o presidente do Sistema CNC – Sesc – Senac, José Roberto Tadros, afirmou que “a CNC segue trabalhando com afinco para garantir um ambiente de negócios mais justo e competitivo”. Ele destacou temas prioritários da Agenda, como a simplificação tributária, a segurança jurídica, o combate à concorrência desleal, a modernização do setor público, o incentivo à inovação e à qualificação profissional.
Tecnologia para integração do comércio
O painel “Perspectivas da transformação digital no setor terciário” foi mediado por Guilherme Waltenberg, editor sênior do Poder360, e contou com a participação da ex-ministra da Agricultura e sócia-fundadora da BRZ Consulting, Kátia Abreu. Ela lembrou que os desafios não se limitam à tecnologia, destacando os gargalos logísticos que dificultam a integração dos modais. “O governo precisa da iniciativa privada para alavancar a infraestrutura. É necessário crédito com juros compatíveis para que empresários possam operar concessões obtidas em leilões e parcerias público-privadas”, disse. Kátia também ressaltou que 65% da carga no Brasil é transportada por caminhões e 95% dos passageiros utilizam rodovias.
O senador Efraim Filho (União-PB) fez um paralelo entre logística e comércio digital. “Há 10 anos, discutíamos o impacto do e-commerce no varejo. Hoje, o desafio é nos adaptar às novas logísticas integradas e tecnologias”, afirmou. Já o deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), relator da lei das debêntures de infraestrutura, destacou a importância de investir na qualificação da mão de o
bra: “Temos uma abundância de empregos esperando por pessoas capacitadas”.
O segundo painel, “Vai Turismo, Rumo ao Futuro”, foi aberto pelo diretor da CNC que coordena o Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade, Alexandre Sampaio, que ressaltou a importância da articulação entre governos, setor privado e entidades para impulsionar o turismo. “Esse esforço conjunto é imprescindível para que o turismo se torne uma verdadeira ferramenta de transformação social e de desenvolvimento econômico e regional”, afirmou.
O CEO da GKS, Cássio Garkains, apresentou o programa “Vai Turismo”, uma iniciativa da CNC que evoluiu de projeto para programa e hoje é considerado um movimento nacional. “Mobilizamos atores em todo o país, com propostas que influenciam a formulação de políticas públicas e impactam diretamente a dinâmica empresarial e social”, explicou.
A secretária-executiva do Ministério do Turismo, Ana Carla Lopes, destacou que o setor, antes marginalizado, hoje é estratégico para os governos. “O turismo deixou de ser o patinho feio. É cobiçado porque atua em diversas frentes: modais de transporte, gastronomia, eventos e muito mais. Não é bom apenas para quem visita, mas principalmente para quem vive no destino”, afirmou. Por sua vez, o governador do Amapá, Clécio Luís, chamou atenção para a baixa conectividade aérea da Amazônia. “Somos fim de linha, e isso encarece as passagens, limitando o acesso à região e travando nosso desenvolvimento”, alertou.
O deputado Marcelo Álvaro Antônio (PL-MG), presidente da Comissão de Turismo da Câmara, demonstrou preocupação com o anúncio do fim do Perse pela Receita Federal. “Precisamos encontrar uma forma de manter esse programa. Ele é fundamental para o setor continuar se recuperando. O retorno é altíssimo: a cada dólar investido, temos uma resposta de mais de vinte dólares”, argumentou.
Encerrando o painel, a senadora Professora Dorinha Seabra (União-TO), presidente da Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo, reforçou a necessidade de políticas permanentes de incentivo ao turismo e à qualificação profissional. “Precisamos muito do Sistema S, das universidades e dos institutos federais para preparar melhor nossos profissionais e melhorar a oferta de serviços turísticos no país”, concluiu.
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